Folha Online - Dinheiro - Hélio Costa admite que demora do governo vai atrasar TV digital - 04/04/2006
Hélio Costa admite que demora do governo vai atrasar TV digital - 04/04/2006Quase um mês após
o anúncio frustrado da escolha do padrão japonês o imbróglio sobre a escolha do padrão de televisão digital a ser adotado no Brasil, segue firme e forte.
Com os Americanos fora da disputa, Europeus e Japoneses disputam o páreo...
O receio das redes de televisão é que a escolha do padrão europeu altere as regras do mercado, e facilite a entrada de novos concorrentes, leia-se as operadoras celulares.
Além da questão regulamentar, as justificativas para barrar a entrada dos europeus são técnicas (alta definição e a faixa de frequência), pois segundo a análise das redes o padrão japonês já estaria preparado para a transmissão em HDTV (high definition) em canais de 6MHz (tamanho do canal utilizado no Brasil), enquanto que o padrão europeu, atualmente, só permitiria a SDTV (standard definition), e portanto necessitaria passar por adaptações para atender as exigências do "mercado brasileiro".
Por outro lado a mobilidade entra em cena, e fabricantes europeus como a
Nokia,
Philips e
Thomson, vislumbram as oportunidades geradas pela tão esperada "convergência" das redes de rádiodifusão e telefonia (fixa e móvel) com a internet.
Na verdade, a questão é que caso o padrão Europeu seja o escolhido, as teles teriam o poder de controlar, em parte, a distribuição de sinal de televisão digital para os celulares, utilizando suas estruturas para tarifar o conteúdo distribuído em parceria com as redes, ou não, pois as caso ocorra uma alteração na regulamentação, as teles poderiam firmar parcerias com novos entrantes (nacionais e estrangeiros), concorrendo com as redes.
Se o padrão Japonês for o escolhido, tudo fica como está, e o poder para controlar a distribuição continua nas mãos das redes.
A questão comercial também é bastante complexa pois com a escolha do padrão Europeu, o Brasil poderia utilizar os mesmo celulares GSM com receptor DVB-H fabricados para o mercado europeu, e isto significa terminais móveis mais baratos, poderia também exportar os televisores e decoders para o mercado europeu, Índia, Austrália e Oriente Médio.
A escolha do padrão Japonês por outro lado, implica em terminais móveis mais caros devido a menor escala de produção, pois até o momento o padrão só foi adotado no Japão. Sem falar que o único mercado para a exportação seria o próprio Japão.
Por estes motivos, mesmo que a decisão seja tomada em breve, a implantação da televisão digital no Brasil pode demorar, pois quando a análise é politica e não técnica, o bicho pega...